04 fevereiro 2015

Hanseníase e gravidez: os riscos que a doença oferece à mãe e ao bebê

Por Luiza Monteiro | Edição: Nathália Florencio
Foto:Google


Se não for tratada corretamente, ela ameaça a saúde da gestante e da criança. E um estudo recente aponta que muitas mulheres que têm ou já tiveram a enfermidade não recebem a orientação necessária sobre os cuidados que devem ser tomados.

Muitos dirão que estamos falando de um mal erradicado há décadas. Quem dera! A hanseníase, popularmente conhecida como lepra, ainda é um problema de saúde pública nos dias de hoje, especialmente nos países mais pobres, como no sul da Ásia, África ou América Latina, onde é endêmica. Com mais de 30 mil casos por ano, o Brasil é o segundo país do mundo com maior incidência dessa doença, ficando atrás apenas da Índia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Acreditava-se que ela estava controlada, mas o número de pacientes tem aumentado, principalmente em regiões como o Norte e Nordeste”, analisa Ana Maria de Almeida, professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), no interior paulista. Condições precárias de saneamento, formação de conglomerados populacionais e falta de profissionais de saúde capacitados para fazer o diagnóstico explicam a propagação da enfermidade.

Orientadora de uma pesquisa que teve seus resultados divulgados em outubro de 2014, a docente da USP chama atenção para um dado importante: muitas das mulheres em idade reprodutiva afetadas pela hanseníase não são avisadas, nas unidades básicas de saúde, sobre os riscos que uma eventual gravidez pode trazer para elas e para seus bebês. Neste estudo liderado pela enfermeira Clódis Maria Tavares, foram entrevistadas 60 pacientes com idades entre 14 e 49 anos, moradoras da cidade de Maceió (AL) e que têm ou já tiveram o problema. A maioria delas declarou conhecer os diferentes tipos de métodos contraceptivos, mas assumiu não fazer uso de nenhum deles. “Elas não sabem que, ao engravidarem, se não estiverem totalmente curadas, pode haver um agravamento da doença, colocando em risco também o feto, que fica mais propenso a nascer prematuro e com baixo peso”, alerta a professora.

Com isso, muitas dessas mulheres não fazem o pré-natal com o cuidado que deveriam. “A gravidez da paciente com hanseníase é mais delicada, pois ela apresenta uma infecção em um momento de baixa imunidade, que é a gestação”, explica o dermatologista Dilhermando Calil, da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH). Sendo assim, além de abrir portas para outras enfermidades, aumenta a probabilidade de a doença evoluir para estágios mais avançados, que podem afetar órgãos nobres, como rins, baço e fígado, e ameaçar a vida da mãe e da criança. Segundo os especialistas, para engravidar, portanto, seria necessário esperar a cura total — que é, sim, possível quando a hanseníase é precocemente diagnosticada.

De qualquer forma, em caso de gravidez durante o tratamento, a recomendação é que ele não seja suspendido. Mas a assistência de um obstetra e de um dermatologista (especialista que trata a hanseníase) durante toda a gestação é fundamental – até porque uma das drogas usadas para tratar a doença, a talidomida, provoca malformações no bebê. “O acompanhamento deve ser mensal e, em alguns casos, com uma frequência ainda maior”, recomenda Calil.

A hanseníase
Os sintomas iniciais são manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, com pequenos nódulos, que costumam vir acompanhados de alterações de sensibilidade nas áreas afetadas. Apesar de ser uma doença cutânea, a hanseníase é transmitida pelas vias respiratórias, por isso a contaminação ocorre, geralmente, no meio familiar. A boa notícia é que, segundo os especialistas, a Mycobacterium leprae é de baixa infectividade e a manifestação da doença depende muito do sistema imunológico de quem entra em contato com essa bactéria — daí porque deficiências nutricionais e más condições de higiene, que prejudicam as defesas do organismo, contribuem para que o micro-organismo se instale.

Além disso, grande parte da população é imune ao agente causador da lepra.  “Apenas 10% das pessoas que o contraem têm a possibilidade de desenvolver a hanseníase”, informa o médico da SBH. Uma vez no corpo, esse bacilo trava uma luta contra o sistema imunológico e ataca não só a pele, mas também nervos periféricos, músculos e, em casos graves, até outros órgãos, podendo causar sequelas como cegueira e paralisia. O período de incubação da bactéria vai de seis meses a seis anos.

Diagnóstico e tratamento
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a identificação da hanseníase envolve, em primeiro lugar, uma avaliação clínica do paciente, com testes de sensibilidade, palpação dos nervos e avaliação da força motora. O médico também pode solicitar uma biópsia de fragmentos da pele ou exames laboratoriais para medir a quantidade de bacilos. Em casos leves, ou seja, quando a taxa da bactéria é baixa, o tratamento feito por meio de poliquimioterapia — na qual são administradas duas ou mais drogas — dura seis meses; já quando é alta, pode levar cerca de um ano. 




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